Pilhas e Baterias

25/05/2015 08:32

As pilhas e baterias de uso doméstico apresentam um grande perigo quando descartadas incorretamente. Na composição dessas pilhas são encontrados metais pesados como: cádmio, chumbo, mercúrio, que são extremamente perigosos à saúde humana. Dentre os males provocados pela contaminação com metais pesados está o câncer e mutações genéticas. 

Só para esclarecer, as pilhas e baterias em funcionamento não oferecem riscos, uma vez que o perigo está contido no interior delas. O problema é quando elas são descartadas e passam por deformações na cápsula que as envolvem: amassam, estouram, e deixam vazar o líquido tóxico de seus interiores. Esse líquido se acumula na natureza, ele representa o lixo não biodegradável, ou seja, não é consumido com o passar dos anos. A contaminação envolve o solo e lençóis freáticos prejudicando a agricultura e a hidrografia

Justamente por serem biocumulativas é que surgiu a necessidade do descarte correto de pilhas e baterias usadas.

  

Como as imagens a cima já diz, o que não pode ser feito é o descarte desses materiais no lixo comum. Já existem leis que obrigam os fabricantes a receberem de volta pilhas e baterias, e desta forma dar a elas o destino adequado. Seria fundamental que também colocassem advertências na própria embalagem do produto, avisando dos eventuais perigos oferecidos pelo descarte incorreto do material. 

O que você consumidor pode fazer? 

O ideal é separar o lixo tóxico do restante, dessa forma você facilita a coleta e posterior armazenagem em aterros especiais. Mas se optar pelo envio ao fabricante, estará alertando-o de sua preocupação e, quem sabe dessa forma, ele tome consciência de sua responsabilidade como produtor e dê destino correto ao seu produto após o uso.

Por que as pilhas e baterias não devem  ir para aterros ou lixões? 

Nos lixões ou nos aterros as pilhas e baterias se oxidam em resultado da exposição ao sol e à chuva. Com isso, o invólucro é rompido e os metais pesados se misturam ao chorume do lixo. A chuva leva esse líquido e os metais pesados penetram no solo, atingem o lençol freático, riachos e córregos. As plantas e produtos agrícolas são contaminados pelo solo ou pela sua irrigação. Com isso, os animais e as pessoas podem ingerir alimentos contaminados.

Os organismos vivos não conseguem eliminar esses metais pesados depois que são absorvidos, eles são cumulativos, ficando depositados em alguma parte do corpo e provocam uma série de complicações. Os efeitos à saúde causados por alguns desses metais são alistados abaixo:

 

Como fazer o descarte correto?

Levando em conta o risco que o descarte inadequado de pilhas e baterias traz ao meio ambiente e ao ser humano, vários países têm se preocupado com essa questão. No Brasil o descarte e o gerenciamento ambientalmente adequado de pilhas e baterias usadas são disciplinados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama.

Uma das legislações vigentes impõe a redução dos níveis de materiais tóxicos presentes nas pilhas e baterias. De acordo com a resolução do Conama, as pilhas que atendem aos limites estabelecidos por lei podem ser jogadas no lixo comum e levadas a aterros sanitários devidamente licenciados. Além disso, os fabricantes e importadores devem identificar os produtos, com registro na embalagem e os seguintes ícones que mostram que o produto pode ser descartado no lixo doméstico:

Já no caso de pilhas que não possuem esse tipo de ícone e que possuem um símbolo de cesto de lixo cortado por um X, não devem ser lançadas no lixo comum, mas sim devolvidas ao vendedor, representante ou fabricante, para o descarte apropriado.

Infelizmente, porém, nem todas as pilhas seguem esse padrão, principalmente aquelas que chegam ao país por meio de contrabando. Ainda assim, mesmo que estejam de acordo com a legislação, são milhares de pilhas descartadas, que, juntas, somam uma quantidade considerável de substâncias tóxicas.

Reciclagem de pilhas e baterias no Brasil:

A reciclagem de pilhas no Brasil é feita somente por uma empresa (Suzaquim), que recicla 6 milhões de pilhas e baterias por ano (menos de 1% do total comercializado). O processo de reciclagem, resumidamente, passa pelas seguintes etapas:

  1. Seleção e separação de tipos de pilhas e baterias semelhantes que são enviados ao processo de reciclagem adequando.
  2. Separação da carcaça de plástico que é enviada para ser reciclada por outras empresas.
  3. Separação dos metais, como o aço, do pó químico, por meio da moagem. O aço é mandado para outras empresas de reciclagem.
  4. O pó químico passa por reações de precipitação em um reator químico.
  5. Filtragem e prensagem para separar líquidos e sólidos.
  6. Calcinação dos sólidos, isto é, decomposição de substância sem oxidação em um forno de calcinação ou calcinador.
  7. Nova moagem dos sólidos calcinados.
  8. São obtidos como produtos sais e óxidos metálicos usados em tintas, cerâmicas etc.
  9. Os resíduos gerados nesse processo são tratados para não agredirem a natureza.

Além disso, no Brasil, algumas empresas de baterias de celulares recolhem esse material, enviando-os para empresas de reciclagem fora do Brasil, como a Umicore.